Por Carlos Augusto Cunha Sacchi
Diretor executivo da ENA

ENA

O tempo passa, o Marchador evolui e o que diz respeito ao mundo do cavalo precisa acompanhar esse movimento. A cada dia, o que se vê em pista são exemplares de alto padrão de marcha e morfologia e, por isso, se faz tão importante buscar reavaliações periódicas dos critérios de julgamento para se alcançar o máximo do potencial da raça.

Atenta às demandas, a Escola Nacional de Árbitros – ENA tem consciência de seu papel na promoção do Mangalarga Marchador e não para. Para o ano hípico iniciado em 2018, implementou alguns critérios que permitem apresentações mais naturais dos cavalos, para que seja possível verificar características genuínas dos mesmos.

Confira abaixo as mudanças.

A equitação pelos árbitros:

O árbitro deverá montar sempre em ordem crescente de idade (ordem de catálogo).

Ao montar, iniciará a avaliação do passo, por período ou distância que permita verificar o condicionamento para este andamento. A partir daí, deverá imprimir marcha de baixa velocidade (9 km/h) até que se complete a primeira volta do trajeto proposto. O árbitro deverá então mudar de mão e passar à marcha de média velocidade (12 km/h) por metade do trecho restante, e então imprimir marcha de alta velocidade (15 km/h). Passará então a diminuir a velocidade até iniciar a avaliação da marcha livre, por tempo ou distância que permita avaliar a preservação e o grau de dissociação natural do animal até o local onde deverá concluir sua avaliação, chegando a passo para entregar o animal ao apresentador.

O mesmo percurso deverá ser obedecido para avaliação de todos os animais.

 A marcha em rédea livre:

A figura passará a ser realizada em três momentos: início, final e quando o animal for montado pelo árbitro.

A não realização ou qualidade insuficiente da figura sofrerá penalização de uma classificação abaixo daquela que teria, caso não devesse ser penalizado.

Quanto aos arreamentos:

Chicote: permitido somente se portado na mão do apresentador. Não permitido o uso, nos concursos de marcha, pendurado em qualquer parte do arreamento ou vestimenta do apresentador.

Sela: deverá estar ajustada de forma a acomodar a extremidade anterior do suador à fossa imediatamente posterior às espáduas, propiciando a correta passagem da cilha, não sendo permitido o uso deste acessório em posição demasiadamente adiantada sobre a cernelha do animal. O técnico de admissão deverá solicitar o ajuste, caso entenda necessário. Da mesma forma, se preciso, o árbitro dentro de pista, deverá proceder para que se cumpra o regulamento. O apresentador poderá fazer o ajuste da sela somente logo após o término da realização da prova funcional. Caso haja necessidade de mais um ajuste, este deverá ser autorizado pelo árbitro.

Embocaduras:

O bocado do bridão ou freio deverá ter diâmetro mínimo de 0,8 cm.

Cabresto:

Não será permitido o uso de cabresto (juntamente à cabeçada) nos concursos de marcha.

Número de animais por categoria:

Para as categorias de marchas batida e picada, a título de fomento, será aceito o mínimo de quatro animais por categoria. Desta forma, para a disputa do campeonato da raça, será necessária a presença mínima de 12 animais machos ou fêmeas, jovens ou adultos.

Normas e condições veterinárias:

Não será permitido o acesso ao julgamento de animal com lesão ativa, com deformidade da região do chanfro, causada por uso incorreto do cabresto.

Para Carlos Augusto Cunha Sacchi, diretor executivo da ENA, as alterações vão ao encontro da evolução e valorização da raça. Um compromisso dele e da entidade com os criadores de todo o país.

Carlos Augusto Cunha Sacchi

“Um campeonato marca uma condecoração, uma confirmação de que a apresentação daquele animal vencedor permitiu uma avaliação zootécnica de caráter superior. Dessa forma, a vitória deve ser conquistada por meios naturais”.